Farmácias já concentram quase metade das compras de suplementos no Brasil, aponta pesquisa

A busca por mais energia, disposição e qualidade de vida tem impulsionado um mercado que cresce de forma consistente no Brasil: o de suplementos alimentares. Um levantamento do Instituto Febrafar de Pesquisas Econômicas e Comportamentais (IFEPEC), divulgado em 16 de julho, traça um retrato detalhado de como, onde e por que os brasileiros estão comprando esses produtos, e o resultado mostra uma mudança significativa nos hábitos de consumo.

Uma pesquisa de escala nacional

O estudo do IFEPEC não se baseou em uma amostra pequena. Foram ouvidos 1.068 profissionais de saúde e 1.200 consumidores em diferentes regiões do país, o que confere ao levantamento um retrato amplo e representativo do comportamento de compra e das percepções em torno da suplementação alimentar no Brasil atual.

Esse tipo de pesquisa é importante porque vai além dos números de venda: ela cruza a visão de quem compra com a de quem orienta, os profissionais de saúde, revelando também como a suplementação vem sendo incorporada à rotina de cuidado da população, seja por indicação profissional, seja por busca espontânea do consumidor.

Farmácias lideram como canal de compra

O dado central da pesquisa é a liderança das farmácias como canal preferido para a compra de suplementos, respondendo por 48% das aquisições. Esse número coloca as farmácias com folga à frente de outros canais tradicionais: os marketplaces online aparecem em segundo lugar, com 24% das compras, seguidos pelos supermercados, com 15%.

Esse resultado sinaliza uma mudança de percepção por parte do consumidor brasileiro. A farmácia, historicamente associada à compra de medicamentos, vem se consolidando também como um ponto de referência para produtos ligados a saúde, disposição e desempenho físico, provavelmente porque o consumidor associa o ambiente farmacêutico a mais confiança e à possibilidade de orientação profissional no momento da compra.

Os suplementos mais usados pelos brasileiros

Entre os produtos mais consumidos, o whey protein aparece disparado na liderança, citado por 47,1% dos entrevistados. É um resultado que reflete a popularização da proteína em pó como recurso tanto para praticantes de atividade física quanto para quem busca complementar a alimentação diária de forma prática.

Na sequência aparece a creatina, mencionada por 21,5% dos consumidores, seguida do ômega 3, presente na rotina de 18,1% dos entrevistados, e do colágeno, citado por 17,6%. Esses quatro produtos formam o núcleo do mercado de suplementação no país, cada um associado a diferentes objetivos, de ganho de massa muscular a saúde cardiovascular e cuidados com pele e articulações.

Por que as pessoas estão suplementando

A pesquisa também investigou as motivações por trás do consumo. A busca por mais energia e disposição no dia a dia foi a razão mais citada, apontada por 31% dos consumidores. Logo depois, aparece a complementação alimentar, mencionada por 29%, o que mostra que boa parte do público recorre aos suplementos não como substituto da alimentação, mas como reforço a uma dieta que, por algum motivo, não supre completamente as necessidades nutricionais percebidas.

Esse padrão de motivação indica um consumidor mais consciente sobre o próprio corpo e mais disposto a investir em produtos que, na sua percepção, contribuem para o bem-estar geral, não apenas para objetivos estéticos.

Um hábito que veio para ficar

Um dos dados mais relevantes da pesquisa em relação ao futuro do setor é a intenção de continuidade: 82% dos consumidores entrevistados afirmaram pretender manter o consumo de suplementos nos próximos seis meses. Esse número indica que a suplementação deixou de ser um comportamento pontual ou passageiro para se consolidar como parte da rotina de cuidado de uma parcela relevante da população brasileira.

Orientação profissional continua sendo essencial

Apesar da praticidade de comprar suplementos em farmácias, marketplaces ou supermercados, é importante reforçar que nem todo suplemento é indicado para todo tipo de pessoa, objetivo ou condição de saúde. Whey protein, creatina, ômega 3 e colágeno têm perfis de uso, dosagens e possíveis interações diferentes, e o consumo inadequado pode não trazer o benefício esperado ou até representar riscos, especialmente para quem tem alguma condição de saúde pré-existente.

Antes de iniciar qualquer suplementação, a recomendação é sempre consultar um médico, nutricionista ou farmacêutico. Esses profissionais podem avaliar a real necessidade do produto, indicar a dosagem adequada e verificar possíveis interações com medicamentos ou condições de saúde já existentes, garantindo que a busca por mais disposição e qualidade de vida seja feita de forma segura.