OMS, Unicef e Gavi alertam para alta de surtos evitaveis por vacina

Campanha de conscientizacao sobre a importancia da vacinacao em comunidade
Foto: Wikimedia Commons

Um alerta conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Unicef e da Gavi (aliança internacional pela vacinação) aponta que o aumento de surtos de doenças evitáveis por vacinação ameaça anos de progresso na imunização infantil ao redor do mundo. O documento reforça uma preocupação que já vinha sendo monitorada de perto por especialistas em saúde global: a cobertura vacinal segue estagnada, enquanto o número de surtos volta a crescer.

Os números por trás do alerta

Segundo dados divulgados pelas três organizações, em 2025 cerca de 90% dos bebês do mundo receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP), e 85% completaram o esquema de três doses. À primeira vista, os números parecem positivos — mas a cobertura global permanece um ponto percentual abaixo do nível registrado em 2019, antes da pandemia, o que mostra que o sistema global de vacinação infantil ainda não recuperou totalmente o terreno perdido nos últimos anos.

Mais preocupante é o número de crianças chamadas de “zero-dose”: estima-se que 13,5 milhões de crianças não tenham recebido nenhuma vacina durante o primeiro ano de vida em 2025. Esse grupo é o que concentra o maior risco de contrair e transmitir doenças que já deveriam estar sob controle, já que nunca tiveram nenhum tipo de proteção imunológica induzida por vacina.

Sarampo como termômetro do problema

O sarampo funciona como um indicador sensível da saúde geral dos programas de imunização, porque exige cobertura muito próxima de 100% para evitar surtos. Em 2025, 57 países registraram surtos grandes ou disruptivos de sarampo — um número expressivo que reflete diretamente a lacuna de cobertura: 84% das crianças receberam a primeira dose contra o sarampo, e apenas 77% completaram a segunda dose, ambos os índices bem abaixo do patamar de 95% considerado necessário para impedir a circulação sustentada do vírus.

Esse padrão se repete em diferentes países, inclusive no Brasil, que registrou recentemente um surto ativo de sarampo em três cidades de São Paulo, ligado à importação do vírus por viajantes — um exemplo prático de como a queda de cobertura vacinal em qualquer parte do mundo pode ter reflexo direto em outros países, dado o trânsito internacional constante de pessoas.

O papel do financiamento internacional

Diante desse cenário, a Gavi está organizando uma nova cúpula de doadores de alto nível para o período de 2026 a 2030, com meta de arrecadar pelo menos US$ 9 bilhões para financiar uma estratégia global de proteção de 500 milhões de crianças, com potencial de salvar pelo menos 8 milhões de vidas ao longo desse período. Esse tipo de financiamento é essencial especialmente para países de baixa e média renda, onde a infraestrutura de saúde pública tem menos capacidade própria de sustentar campanhas de vacinação em larga escala sem apoio internacional.

Conflitos armados em diferentes regiões do mundo também são apontados como fator que dificulta a vacinação infantil, já que áreas de guerra costumam ter acesso muito limitado a serviços de saúde básica, incluindo campanhas de imunização de rotina.

Por que isso importa mesmo em países com boa cobertura

Doenças infecciosas não respeitam fronteiras — um surto de sarampo, por exemplo, começado em um país com baixa cobertura vacinal pode se espalhar rapidamente para outras regiões através de viajantes infectados, como já aconteceu em episódios recentes registrados no Brasil. Por isso, organismos como OMS, Unicef e Gavi reforçam que a queda de cobertura vacinal em qualquer parte do mundo é, na prática, um problema de saúde global, não apenas local.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação médica individualizada.