Julho é o mês da campanha Julho Verde, criada pela Lei nº 14.328/2022 para ampliar o conhecimento da população sobre os fatores de risco e os sinais do câncer de cabeça e pescoço — um grupo de tumores que inclui boca, língua, laringe, faringe e glândulas salivares, entre outras regiões. O Ministério da Saúde reforça neste período a importância do diagnóstico precoce, decisivo para as chances de tratamento bem-sucedido nesse tipo de câncer.

Os sinais que merecem atenção
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas na mucosa bucal, rouquidão persistente por mais de três semanas, dor ou dificuldade para engolir, sensação de corpo estranho na garganta, caroços persistentes no pescoço, sangramentos nasais recorrentes e perda de peso sem explicação aparente. Nenhum desses sintomas, isoladamente, significa necessariamente câncer — mas a persistência deles por mais de duas semanas é o principal motivo para procurar avaliação médica.
Muitos desses sinais são discretos no início e costumam ser confundidos com problemas simples do dia a dia, como uma afta persistente ou uma rouquidão atribuída a gripe mal curada — o que reforça por que campanhas de conscientização como o Julho Verde são tão importantes para reduzir o tempo entre o primeiro sintoma e a busca por avaliação especializada.
Por que o diagnóstico precoce muda tudo
Cânceres de cabeça e pescoço identificados em estágio inicial costumam ter tratamento menos invasivo e taxas de cura significativamente mais altas do que os diagnosticados tardiamente. O problema é que muitos dos sinais iniciais — como uma rouquidão persistente ou uma ferida na boca — são facilmente confundidos com problemas banais e acabam sendo ignorados por semanas ou meses, o que atrasa a busca por avaliação especializada.
Fatores de risco conhecidos incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool e infecção por HPV, mas pessoas sem nenhum desses fatores também podem desenvolver a doença — por isso a orientação do Ministério da Saúde é observar os sinais de alerta independentemente do perfil de risco individual. A combinação de tabagismo e consumo de álcool, em particular, é apontada por estudos como fator que multiplica o risco de forma mais que proporcional à soma dos dois fatores isolados.
O papel do dentista na detecção precoce
O cirurgião-dentista costuma ser um dos primeiros profissionais de saúde a identificar lesões suspeitas na cavidade oral, já que exames de rotina odontológica normalmente incluem inspeção visual de toda a mucosa bucal, não apenas dos dentes. Consultas odontológicas regulares, portanto, funcionam como uma camada extra de prevenção para esse tipo específico de câncer, além do cuidado tradicional com a saúde bucal.
O que fazer
Qualquer um dos sintomas citados que persista por mais de 15 dias deve ser motivo para procurar um dentista, otorrinolaringologista ou clínico geral para avaliação. A campanha Julho Verde reforça justamente esse ponto: quanto antes o sinal é investigado, maior a chance de um desfecho positivo, com tratamentos menos agressivos e melhor qualidade de vida no pós-tratamento.
Unidades básicas de saúde do SUS costumam oferecer avaliação inicial gratuita para quem apresenta sinais de alerta, com encaminhamento para especialista quando necessário — um caminho acessível para quem não tem plano de saúde e ainda assim precisa de avaliação profissional diante de sintomas persistentes.
Tratamentos disponíveis conforme o estágio
O tratamento do câncer de cabeça e pescoço varia conforme o estágio em que a doença é identificada, podendo envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação dessas abordagens. Em estágios iniciais, procedimentos cirúrgicos mais conservadores costumam preservar melhor a função de fala e deglutição, enquanto casos diagnosticados tardiamente exigem intervenções mais extensas, com maior impacto na qualidade de vida do paciente após o tratamento.
Equipes multiprofissionais — reunindo oncologista, cirurgião de cabeça e pescoço, fonoaudiólogo e nutricionista — costumam acompanhar o paciente ao longo de todo o tratamento, já que a reabilitação de funções como fala, mastigação e deglutição é parte essencial da recuperação, especialmente em casos que exigiram cirurgia mais ampla.
Como a campanha chega à população
Ao longo de julho, unidades de saúde, hospitais e organizações da sociedade civil costumam promover ações de conscientização com material informativo, rodas de conversa e, em alguns casos, mutirões de avaliação bucal gratuita — iniciativas que ajudam a levar a mensagem da campanha a públicos que normalmente têm menos acesso a informação de saúde preventiva, como moradores de regiões mais distantes de grandes centros urbanos.