
O Ministério da Saúde recomendou, em 28 de julho, que os municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo ampliem a vacinação contra o sarampo para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos de idade. A medida acontece durante a Campanha Nacional de Multivacinação, que vai de 3 de agosto a 1º de setembro, e busca conter um surto que já soma 17 casos confirmados no Brasil em 2026, dos quais 14 seguem em monitoramento em São Paulo.
Do total de casos registrados, 11 fazem parte de um surto ativo — sendo nove na capital paulista e dois em São Bernardo do Campo. Chama atenção o perfil dos infectados: há registros tanto em bebês de até 1 ano quanto em adultos entre 20 e 50 anos, faixas etárias que, em teoria, deveriam estar protegidas pela cobertura vacinal histórica do país. A fonte exata da infecção segue desconhecida pelas autoridades sanitárias.
Diante do cenário, o Ministério da Saúde reforçou o abastecimento de vacinas nos municípios afetados e passou a recomendar a chamada “dose zero” para crianças de 6 a 11 meses — uma dose extra, aplicada antes da idade padrão prevista no calendário nacional, justamente para proteger os bebês mais vulneráveis durante o período de surto ativo.
Em números, o esforço de vacinação é robusto: foram distribuídas 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) somente em 2026, das quais cerca de 2,9 milhões já haviam sido aplicadas até o momento do anúncio. Ainda assim, a pasta reconhece que a velocidade de aplicação precisa aumentar para conter a circulação do vírus nas regiões afetadas.
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas pela medicina, transmitida pelo ar e capaz de infectar até 90% das pessoas suscetíveis que entrem em contato com um caso ativo. Por isso, surtos como o registrado em São Paulo tendem a se espalhar rapidamente caso a cobertura vacinal da população não esteja em níveis adequados — geralmente acima de 95% para garantir a chamada imunidade de rebanho.
O Brasil já foi declarado livre do sarampo em 2016, mas perdeu esse status em 2019 após surtos consecutivos ligados à queda na cobertura vacinal em diferentes regiões do país. Desde então, o país vem enfrentando episódios pontuais da doença, geralmente associados a bolsões de baixa vacinação em grandes centros urbanos — exatamente o cenário que volta a se repetir agora em São Paulo.
A orientação das autoridades de saúde para a população é direta: verificar a caderneta de vacinação de crianças e adultos e procurar a unidade de saúde mais próxima em caso de dose em atraso, especialmente para quem mora ou circula pelas regiões metropolitanas de São Paulo, onde o surto está concentrado neste momento. A Campanha Nacional de Multivacinação, em curso até 1º de setembro, é a principal janela de oportunidade para regularizar a situação vacinal antes que o surto ganhe ainda mais força.